Estaria talvez a plagiar sentimentos se não fosse diferente desta vez. Os modos, os silêncios, a falta de palavras ou de razões. Abstenho-me até de mim mesma para poder fugir. O sol continua a pôr-se cedo e coincide a hora da partida com a hora de chegada, mas partes também quando ele se vai. A mim fica o dever de adivinhar. Já o fiz em tempos, mas não gostava de ter que me plagiar novamente.
Fico a escrever fora das linhas. Não olho para o papel para não temer ter que me apagar. E no fundo, escrevo a lápis para isso mesmo, para poder apagar.
(...)Por um lado sempre quis Inverno, mas um Inverno longe de mim faz doer a alma e a calma. É um querer não quereres e custa a aquecer o corpo. A chuva passa sem chover e os carinhos também. Os pés, frios, não encontram caminhos e o agasalho o ser é tão longínquo quanto o fundo que nos deixamos ser ou esvaziar. Ou tocar.
Por um lado o Outono faz cair as esperanças, e o que vai ficando bem cria-se intenso à desvontade que temos de imaginar propósitos. Hoje escrevo porque já quis ser mais e vim a descobri-lo como um demais às minhas possibilidades.
(...)Há alturas em que não me permito ler, talvez por covardia deixo-me recatada das emoções que costumo encontrar nos enredos alheios, talvez por covardia. Encontrei um livro que deixei a meio há quase perto de um ano, talvez. Em toda a sinopse da história só desejava poder viver naquela época, naqueles lugares, aquelas conquistas e desavenças, amores e desamores... Caramba, sim, é covardia achar que ...o meu coraçãozinho não me permite tolerar certos sonhos, certos carinhos, mesmo que na minha mente em corpos descritos de personagens fictícias, sabendo que, não fosse há um século atrás, podia muito bem ser eu.
O que me realizo neste momento é que preciso realmente disso, de sonhar, de me permitir tal, de viver no corpo e mente fictícia de alguém. Talvez apareça no próximo parágrafo um pouco mais da sonhadora e apaixonada que tanto recalquei.
Sem comentários:
Enviar um comentário