domingo, 12 de abril de 2020

Saí da varanda com demasiados passados nos presentes e uma esperança tremenda de os conseguir metaforizar. Alguns entendem-se, outros não, talvez por isso essa vontade de os querer trocar por miúdos. Esta insanidade de pseudo-isolamento que me faz crer que deixou de haver loucura, faz ter saudades até das coisas mais absurdas, incluindo o medo do querer revivê-las sem como para isso.
Debaixo dos sonhos fica o inferno do ter que acordar. E acima, acima dos sonhos, não há nada. Perguntava-me há pouco se ainda sabia o sabor de me sentir pequena num abraço grande e de conforto. E foi outra pergunta sem resposta. Nem vem o sono, nem vem o sonho. Nem o conforto. 
É inusitado estar a escrever na primeira pessoa, visto que não sou a única na caixa dos que sofrem de hipocondríatite do amor. 
Estava frio, fiquei pouco tempo, até porque o que trouxe para dentro ainda mais me arrepiou. Poderá ser das mesmas canções em modo repeat, eu sei lá! De tanto que há a fazer não me cedo a sonhar os sonhos dos outros. Tenho bem mais que fazer! 
Ah, sim, tinha falado sobre metáforas... Já estão escritas e enterradas. E criar metáforas novas? Afinal não falta tempo nesta guerra que ninguém acredita que está perdida. Mas confesso que não gostaria de estar noutro lugar que não este, a matar o desassossego. 
Alguém das vozes me diz para ficar calada e que é por isso que dói cair da nossa própria loucura, essa mesma que já se perdeu, que já foi violada ao ponto de não saber de quem é. 
Bem, vamos lá ver, de que raio estou eu para aqui a falar?! Viver e deixar que violem uma loucura que não é minha?
Cheguei a ter vontade de dançar, a canção era linda, já me bastante conhecida, mas na minha ilucidez não reconheci de quem era a voz. Cheguei a ter vontade de dançar e de me sentir pequenina num abraço grande, sem que haja ficticismos ou outros ismos da parte de quem me controlaria os passos. Sim, ainda hoje cheguei a ter vontade de dançar. 
Agora as vozes dizem-me para fugir, que é tudo o que eu poderia fazer. Decidam-se, porra! 
É, estes últimos dias tenho bafejado palavrões como acho que nunca fiz e peço mil vezes perdão aos meus pais pois eles não me educaram para isto.
E dormir, hum? Vai dormir que o teu mal é sono. Ou se não é, arranja-te. Quando o amanhã chegar talvez seja diferente.

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