Como tantos outros, eu escrevo para não ser esquecida. Escrevo também para não me esquecer e para esquecer, de igual forma. Porque isto de escrever não deveria ter regra nem norma, não deveria ser algo pelo qual nos fosse invalidada a vida. Como tantos outros.
Há multidão que desaprende de escrever e mesmo assim comunica, eu, eu só escrevo para não ser esquecida.
Um dia gostaria de saber que o que cheiro, os aromas das minhas memórias, os sentires dos meus sentires, andarão perdidos em prateleiras em livros, já com as páginas amareladas e algumas ainda coladas, ou folhas por rasgar, surpreender como me surpreendem tantos outros. Como tantos outros.
Guardo rascunhos, quem me conhece sabe onde está a caixa, que de tudo o que não tenho, é aquilo que guardo. E outros que andam esquecidos por aí, oferecidos ao acaso nos acasos da inspiração ou como mera demonstração de consideração, mas o seu fim era mesmo que eu não fosse esquecida.
Guardo na caixa aquilo que deixarei para testamento. Tudo o que fui e já não sou, tudo o que sou e não serei, e ainda mais, aquilo porque nunca eu própria me esquecerei.
Quantos não terão já ido para o lixo por parecerem listas de compras ou até para a máquina de lavar roupa... Bem, se no fim entupirem a tubagem, sei que mais uma vez lhe pegaram, mesmo que impossível de ler.
Assim me sinto, quando me esqueço de mim. E confesso que ao me ler, coisa que evito fazer, me recordo, coisas boas, coisas más, coisas que talvez nessa minha hipocondriatite do amor (como referi há uns dias), me levaram ao Inferno e outras que me trouxeram de volta à Terra. Sim, pois nunca estive no Céu.
Como tantos outros, escrevi para viver, escrevi para sonhar, escrevi para destilar e escrevi por odiar. Escrevi por amor, pela falta dele, escrevi pela vida, mas essencialmente, escrevo para não ser esquecida.
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