Não me vou deixar de encantos nesta epidemia de cidade. Foram poucas, mas violentas as inconstantes defesas de ti, e não vou escrever de amor.
Pela janela me lavo das promessas na chuva que corre e os passos que deixo no caminho são como poças de água onde cultivo os meus levantes. Pergunto-me se vou para longe ou não, e talvez não te leve comigo. As pequenas palavras pouco me dizem respeito e eu queria tanto ser mais, mais do que isso, mais do que apenas isso.
Não se cheiram as tílias, não me conformo sobre os aromas que esta chuva apaga, não me informo sobre o que são e estou sinceramente cansada de dizer não: só quero ser mais.
Se me deixar de encantos nesta epidemia de cidade talvez cresça, mas é preciso que tal mexa com a responsabilidade, é preciso que tal mexa com os meus encantos.
A cidade não dorme, ninguém dorme na cidade. E as ruas, essas, nuas, no seu frio se resultam. São poucas as possibilidades de fuga, mas talvez assim o faça, talvez assim me faça. No querer ser mais. No querer ser mais cada pessoa se suscita, se submete, se precede ao futuro inconsciente, inconsciente do que se tem e do que se faz falta.
A aurora estrebucha o rigor dos ossos, e sem vontade cada um sai à rua pela simples obrigação de se sentir vivo. Quero fugir. Vou fugir.
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
sábado, 11 de outubro de 2014
Podia dizer que o mundo se vira ao meu passo. Lentamente, quanto o diferente que eu posso ser. Mas as palavras não dizem o que eu sou ou o que eu dou, e lentamente o mundo se mente.
Se ao voraz que o vento se faz são colhidas sementes do que se constrói, é o moinho que mói tão capaz de me dizer mais que aquilo que o que alguma gente sente.
Se ao voraz que o vento se faz são colhidas sementes do que se constrói, é o moinho que mói tão capaz de me dizer mais que aquilo que o que alguma gente sente.
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Imagino-me presente num quarto onde se fazem audições sobre quem cai melhor de pés assentes na Terra. E que poderei fazer eu, se mal sou capaz de tirar os pés da Lua. Como escrava da minha própria saudade sou capaz de escrever passos para trás no intento de desfazer outras aventuras. O que me tortura é hoje a semente do que irá ficar para me impedir de conseguir sentir aromas, de conseguir sentir amores. Se a própria relatividade me puxa a favor de um horizonte, estremeço feita sismo que se desloca pelas ondas de um oceano, mas não há oceanos na Lua que piso, na lua que me fez tua, que me fez sua, que me fez minha, talvez, entretanto. Penso que não, não há oceanos na Lua.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Peço um fundo negro às minhas palavras além dos segundos que perdi ao pedir-te um tempo. Embalo-me num sossego fictício de esporádicas mensagens que me agitam. Pergunto-te se sonhas sobre mim porque o impossível fica nos sonhos que tiveste comigo, se os tiveste. Ainda neste fundo negro aquitecto-me entre incapacidades de te fazer sofrer, como tanto queria, fazer-te sofrer. Essa barreira de onde te atiras para caíres é baixa demais para morreres, e se do pedestal onde tu e só tu te assistes te deixasses seria o mais frívolo acidente a que te sujeitarias. Sujeita-te.
Peço um fundo negro e um pano incolor para taparem as inconsequências de que foges, nem sequer te sabes fugir. Sujeita-te, então. Pequenos passos são grandes quedas e tropeças-te constantemente como se não houvesse amanhã. E para ti não há amanhã. E o sabes. Pelas escadas abaixo cai-te o orgulho que já te foi seguro um dia, esquartejado em pedaços que vais apanhando no caminho de volta para o lugar de onde vieste, abaixo de um certo Inferno onde te odeio, eu e tantos outros 'tus' que me fazem não querer saber mais da simpatia ou do pecado.
Peço um fundo negro e um pano incolor para taparem as inconsequências de que foges, nem sequer te sabes fugir. Sujeita-te, então. Pequenos passos são grandes quedas e tropeças-te constantemente como se não houvesse amanhã. E para ti não há amanhã. E o sabes. Pelas escadas abaixo cai-te o orgulho que já te foi seguro um dia, esquartejado em pedaços que vais apanhando no caminho de volta para o lugar de onde vieste, abaixo de um certo Inferno onde te odeio, eu e tantos outros 'tus' que me fazem não querer saber mais da simpatia ou do pecado.
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Acordámos deitados do mesmo lado da cama, em confortos diferentes. E desta vez ficou algo, mas o tempo corta-nos a fasquia, temos que fugir. Ao invés de um beijo ou daquele "amo-te" que ambos escondemos entre medos e desconquistas infelizes, nem tempo resta para nos consolidarmos. Bom dia, temos que ir. E o "amo-te" que antes nos foi roubado violentamente fica mais uma vez guardado para a próxima vez, ou a vez a seguir à próxima. Talvez seja melhor assim se o sentimos realmente. Não me recordo da última vez que me despedi dos teus sorrisos, recordo-me do primeiro beijo embriagado, confuso entre as vontades e os segredos.
Aceleras-me o passo e pedes-me para ficar, só mais um pouco, entre o clandestino e o rebelde do que foi surgindo em nós. Ficamos aventureiros a descansar mais um pouco, só porque temos quem nos controle o tempo. Antes assim, controlados pelo presente. O passado que nos construiu é hoje tão rebelde como nós o somos, e o futuro não nos pode prender. De planos, quero apenas este lugar plano onde repouso contigo, onde me castigo apaixonada sem o assumir, onde permanecemos vadios e fúteis, egoístas encerrados, neste lugar plano que nem sequer é nosso ou de cada um.
Não me perguntes quem sou, sabes até melhor que eu talvez e ainda assim pensas que me amas. Eu sou distraída demais para saber quem és, mas sei como és e como me tens, e tudo isso segura-me e inoportunamente faz amor comigo mesmo quando não estás. Não estás do meu lado nesta cama, mas acordámos deitados do mesmo lado da cama, em confortos diferentes.
Aceleras-me o passo e pedes-me para ficar, só mais um pouco, entre o clandestino e o rebelde do que foi surgindo em nós. Ficamos aventureiros a descansar mais um pouco, só porque temos quem nos controle o tempo. Antes assim, controlados pelo presente. O passado que nos construiu é hoje tão rebelde como nós o somos, e o futuro não nos pode prender. De planos, quero apenas este lugar plano onde repouso contigo, onde me castigo apaixonada sem o assumir, onde permanecemos vadios e fúteis, egoístas encerrados, neste lugar plano que nem sequer é nosso ou de cada um.
Não me perguntes quem sou, sabes até melhor que eu talvez e ainda assim pensas que me amas. Eu sou distraída demais para saber quem és, mas sei como és e como me tens, e tudo isso segura-me e inoportunamente faz amor comigo mesmo quando não estás. Não estás do meu lado nesta cama, mas acordámos deitados do mesmo lado da cama, em confortos diferentes.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Sou dona das minhas cicatrizes. Até daquelas que nunca te mostrei. Tenho uma por baixo do meu braço esquerdo e outra quase sarada perto do coração. Sou dona das minhas incertezas e de outras tantas que não me dizem respeito, que junto das suas contrariedades fazem borbulhar carinhos inconstantes que apagam a lua.
Falta-me o vício da escrita como oração que costumo usar para adormecer. É que não arranjo já inspiração como antes, expiração, e não me apetece falar de cansaço ou de sorrisos, não me apetece falar de pele tocada ou amores.
Quando a luz do Sol aparecer pela manhã, não lhe vou dizer que não, mesmo que não haja oração que me convide a ser feliz. Gravemente estico as tuas influências para impercepções sobre um mundo que não conheço e do qual me faço indeferida, e se por acaso fechares os teus olhos demais, não te lembres de mim, que as minhas cicatrizes impedem-te de me ver com claridade. Esse teu mundo é muito jovem para achares que o tens de verdade, portanto, não feches esses teus olhos até à cegueira, que o teres-me inteira é plena utopia carregada de infortúnios: os teus e os meus.
Devagarinho os bebo, aos meus segredos que insistem em ser maiores e nem eu os sei. Procuro saber por onde vou sem me render ou sem me vender aos teus caminhos que são cada vez mais longos.
Chego a casa já sem palavras, e convenço-me incessantemente que de nada me serve gastá-las. É como o tempo, ora chuva, ora frio, calor ou estrelas, mas a lua, mesmo apagada, está sempre lá. Estás sempre lá.
Falta-me o vício da escrita como oração que costumo usar para adormecer. É que não arranjo já inspiração como antes, expiração, e não me apetece falar de cansaço ou de sorrisos, não me apetece falar de pele tocada ou amores.
Quando a luz do Sol aparecer pela manhã, não lhe vou dizer que não, mesmo que não haja oração que me convide a ser feliz. Gravemente estico as tuas influências para impercepções sobre um mundo que não conheço e do qual me faço indeferida, e se por acaso fechares os teus olhos demais, não te lembres de mim, que as minhas cicatrizes impedem-te de me ver com claridade. Esse teu mundo é muito jovem para achares que o tens de verdade, portanto, não feches esses teus olhos até à cegueira, que o teres-me inteira é plena utopia carregada de infortúnios: os teus e os meus.
Devagarinho os bebo, aos meus segredos que insistem em ser maiores e nem eu os sei. Procuro saber por onde vou sem me render ou sem me vender aos teus caminhos que são cada vez mais longos.
Chego a casa já sem palavras, e convenço-me incessantemente que de nada me serve gastá-las. É como o tempo, ora chuva, ora frio, calor ou estrelas, mas a lua, mesmo apagada, está sempre lá. Estás sempre lá.
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
Aqui deserto, na culpa de querer sentir, na capacidade de dormir no relento de mim mesma, à espera. À espera, aqui deserto, nesta saudade-raiva de querer mais do menos e de me deixar ter menos que mais, que o mais desta raiva-saudade. E a madrugada oculta-me o sangue, faz-me espremer mentiras que me seduzem a mente, que me acorrentam com a negra vontade de o ter mais perto. De me ter mais perto.
E as luzes nos candeeiros servem para criar sombras, diferentes a cada um dos meus passos, ora pela esquerda, ora pela direita, na estática solidão de não saber o caminho.
Aqui deserto, sob a culpa de não querer sentir, e o medo de me ter, de me ter mais perto. Tatuo aromas na minha pele para me saber viva, que seja apenas na pele, e eu odeio quando fica parado a degustar essa minha solidão, o tempo. E eu odeio esse sorriso que ele me faz por me achar jovem, quando a cada dia encontro mais rugas escondidas pelos aromas na minha pele. Fico deserta.
E as luzes nos candeeiros servem para criar sombras, diferentes a cada um dos meus passos, ora pela esquerda, ora pela direita, na estática solidão de não saber o caminho.
Aqui deserto, sob a culpa de não querer sentir, e o medo de me ter, de me ter mais perto. Tatuo aromas na minha pele para me saber viva, que seja apenas na pele, e eu odeio quando fica parado a degustar essa minha solidão, o tempo. E eu odeio esse sorriso que ele me faz por me achar jovem, quando a cada dia encontro mais rugas escondidas pelos aromas na minha pele. Fico deserta.
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Algum segredo terias para não ser impaciente, e ainda assim eras uma dança constante acima dos teus pés, acima da tua cintura, acima dos teus ombros, como se quisesses cintilar por propósitos que nem sequer conhecias, talvez eu, que te observava nos teus passos os conheceria melhor que tu, aos teus propósitos.
terça-feira, 22 de julho de 2014
"Mãe, nunca demos a volta ao mundo?"
"Não, ainda não tivemos oportunidade."
"Ia demorar muito não era?"
"Ia demorar 80 dias".
E os dias foram passando. E naquela mente pura de quatro aninhos oitenta dias seria demais para conhecer o mundo. E hoje, oitenta dias seriam, para mim, tempo a menos para o desconhecer. Não, ainda não tive oportunidade, e dar a volta ao mundo não me cativa tanto como quando eu tinha quatro anos e queria tanto chegar à Lua.
"Não, ainda não tivemos oportunidade."
"Ia demorar muito não era?"
"Ia demorar 80 dias".
E os dias foram passando. E naquela mente pura de quatro aninhos oitenta dias seria demais para conhecer o mundo. E hoje, oitenta dias seriam, para mim, tempo a menos para o desconhecer. Não, ainda não tive oportunidade, e dar a volta ao mundo não me cativa tanto como quando eu tinha quatro anos e queria tanto chegar à Lua.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Acordei. Acordei há pouco mais uma vez com vontade de ver o Outono chegar, o Outono... Pisar as folhinhas do chão na anormalidade de ver o frio chegar na sua época, poder agasalhar-me como protecção quando me sinto tão vulnerável no Verão. O Verão é assim, a vulnerabilidade das pessoas na pele e nos sentimentos, tocam-se mais rápido, foge-se mais cedo, não se pede e quase não se permite o conforto.
Tentei adormecer e acordei depois. Façam-se velhas aquelas que foram outras conquistas, que preciso de conquistas novas, tudo na minha anormalidade.(...)
Tentei adormecer e acordei depois. Façam-se velhas aquelas que foram outras conquistas, que preciso de conquistas novas, tudo na minha anormalidade.(...)
Há tantas belezas perdidas no mundano. A cada passo é mais uma que se perde, deixamo-la arrastar-se circunscrita à incapacidade de ser vista, admirada, apaixonada, devastada pela consolidação do que a veste. E é vê-la dançar, dançar-se no entretanto, incapaz de se conhecer, a beleza do mundano.
A beleza quer ser pura, quer deixar-se de loucuras, adormecer e sonhar, feita bela adormecida que ninguém vem acordar. Diz-se ela querer ser desatenta e ao invés de tudo, deixar-se ficar no estrelato intemporal de sorrisos descabidos inundados em ternura.
Há tantas belezas perdidas no mundano.
A beleza quer ser pura, quer deixar-se de loucuras, adormecer e sonhar, feita bela adormecida que ninguém vem acordar. Diz-se ela querer ser desatenta e ao invés de tudo, deixar-se ficar no estrelato intemporal de sorrisos descabidos inundados em ternura.
Há tantas belezas perdidas no mundano.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Sentei-me no chão da varanda para pedir as estrelas, e o céu se abriu. Impaciência aquela de não saber já lê-las, impaciente ser que o céu doce me tornou. Impaciente. E assim foi. As nuvens se soltaram da prisão de Deus para me receber, e me senti obrigada a entregar-me. Do pouco que tinha restavam reles carências, afogadas no infortúnio de não ser mais eu, impaciente. Saudades de quando a Lua me tornava vulnerável, de quando o vento me fazia frio, saudades de quando os odores me faziam atingível, tangível aos desígnios de Deus, que me guardara. E hoje protesto, pedindo às estrelas que não me deixem adormecer no entretanto de não saber lê-las, que me deixem lida e eu saberei dormir.
Voltei para dentro, não pelo frio, voltei-me para dentro, e nada. O vento tapou as estrelas, que apesar de longe sabe retê-las, e a Lua já nem sabe sequer o meu nome. Preencheram-se ou não os vagos caminhos, que na luz intensa não soube seguir. Fiz-me velha represa de sentimentos e hoje ninguém me faz rir, hoje ninguém me faz vir nas certezas que retenho, que evito ao som do silêncio.
Pois hoje nada sou, sou infortunada, aquilo que fui de mim, fez-se mal amada, quis sentir-me e só me sentei, a ver as estrelas, mudadas pelo vento, que apesar de longe sabe movê-las da sua sedução. Malditas estrelas que são como eu, vem o vento tapá-las e elas se vão, na frieza se ficam para amanhã voltar o seu brilho constante que não sabe amar, dependentes daquilo do qual dependi são as estrelas mais amadas, e eu assim morri.
Vou deixar de me ler como li as estrelas, orações talvez me façam dormir, e hoje nada me faz rir, hoje nada me faz vir nos entretantos. Fiz saber-me no encanto que não há tal coisa. Entretantos vêm e vão. Se ficam já não existem e é certo que, se persistem, não farão ninguém rir.
Falemos de confiança, ou talvez não. Ficarão no silêncio como a paixão, que a paixão que se fala não tem destino.
Sentei-me, há pouco, no chão da varanda, o destino não me levou a mais nenhuma artimanha, estou cansada. Falarei mais de mim, no sorriso das estrelas, quando me souberem ler, saberei eu lê-las. E a paixão surgirá pela natureza, se me trouxer mais que apenas a sua beleza. Estou a rimar demais, vou-me deitar que a poesia por si não me vai trazer amor. Deduzo que as palavras ficarão assentes lá onde estão as estrelas, talvez como eu, dementes.
Voltei para dentro, não pelo frio, voltei-me para dentro, e nada. O vento tapou as estrelas, que apesar de longe sabe retê-las, e a Lua já nem sabe sequer o meu nome. Preencheram-se ou não os vagos caminhos, que na luz intensa não soube seguir. Fiz-me velha represa de sentimentos e hoje ninguém me faz rir, hoje ninguém me faz vir nas certezas que retenho, que evito ao som do silêncio.
Pois hoje nada sou, sou infortunada, aquilo que fui de mim, fez-se mal amada, quis sentir-me e só me sentei, a ver as estrelas, mudadas pelo vento, que apesar de longe sabe movê-las da sua sedução. Malditas estrelas que são como eu, vem o vento tapá-las e elas se vão, na frieza se ficam para amanhã voltar o seu brilho constante que não sabe amar, dependentes daquilo do qual dependi são as estrelas mais amadas, e eu assim morri.
Vou deixar de me ler como li as estrelas, orações talvez me façam dormir, e hoje nada me faz rir, hoje nada me faz vir nos entretantos. Fiz saber-me no encanto que não há tal coisa. Entretantos vêm e vão. Se ficam já não existem e é certo que, se persistem, não farão ninguém rir.
Falemos de confiança, ou talvez não. Ficarão no silêncio como a paixão, que a paixão que se fala não tem destino.
Sentei-me, há pouco, no chão da varanda, o destino não me levou a mais nenhuma artimanha, estou cansada. Falarei mais de mim, no sorriso das estrelas, quando me souberem ler, saberei eu lê-las. E a paixão surgirá pela natureza, se me trouxer mais que apenas a sua beleza. Estou a rimar demais, vou-me deitar que a poesia por si não me vai trazer amor. Deduzo que as palavras ficarão assentes lá onde estão as estrelas, talvez como eu, dementes.
domingo, 13 de julho de 2014
O papel rasgado num canto é demasiado grande para o que tenho para te dizer no bilhete de partida. Partir ou chegar vem hoje disso, da libertação do sobretudo de culpas que vestes, da minha libertação das tuas culpas.
O bilhete de partida é sempre mais caro que o de chegada, ou volta, e aqueles que dizem que somos feitos de estrelas não sabem da missa metade, mas talvez isso explique os brilhos e as luzes que foram apagados quase de longe, por tão perto terem acontecido partilhas.
Não sei nem ninguém sabe sobre as promessas, as desculpas e os "obrigados" que pagavam cada gesto, como se fosse um negócio de sentimentos, compra e venda de sentimentos. Derretê-los para revenda. Que comédia de interrupções alienadas sobre inteligências esquecidas, tal e qual como o que é dito e se esquece de seguida, é hilariante a efemeridade dos carinhos quando as tormentas se sobrepõem.
Entrei no comboio para voltar, na última carruagem para não me seguires, com o papel rasgado sem palavras, repleto de sentimentos que me castigam por não querer voltar. Num bolso, o bilhete, no outro, um rasgão que me permite guardar lá o amor que tinha para dar, vai escorregando aos poucos, fazendo-me tropeçar a cada passo. E é assim que eu me desgraço. E de desgraças é o amor feito, e desfeito.
Vesti-me a preceito para me dizer que me amo, e não esperarei pela noite para não mostrar mais infortúnio às estrelas, que morrem para viver mais. E quando eu morrer, quando eu morrer não quero ser uma estrela, quero ser chuva, antes chuva, Inverno, frio, e aroma a tílias na Primavera. Ai pudera eu.
A dor não paga aluguer, a dor não sabe ficar num só lugar do corpo. E se não fica é porque nunca houve amor. Mas vou chegar, quando chegar, encontrar-me no destino que me espera, dizer-me que me amo para me doer a cada dia mais. São tantas dores quantos amores que me tenho e não tenho corpo para mais dor. No final é só o amor que me quero.
O bilhete de partida é sempre mais caro que o de chegada, ou volta, e aqueles que dizem que somos feitos de estrelas não sabem da missa metade, mas talvez isso explique os brilhos e as luzes que foram apagados quase de longe, por tão perto terem acontecido partilhas.
Não sei nem ninguém sabe sobre as promessas, as desculpas e os "obrigados" que pagavam cada gesto, como se fosse um negócio de sentimentos, compra e venda de sentimentos. Derretê-los para revenda. Que comédia de interrupções alienadas sobre inteligências esquecidas, tal e qual como o que é dito e se esquece de seguida, é hilariante a efemeridade dos carinhos quando as tormentas se sobrepõem.
Entrei no comboio para voltar, na última carruagem para não me seguires, com o papel rasgado sem palavras, repleto de sentimentos que me castigam por não querer voltar. Num bolso, o bilhete, no outro, um rasgão que me permite guardar lá o amor que tinha para dar, vai escorregando aos poucos, fazendo-me tropeçar a cada passo. E é assim que eu me desgraço. E de desgraças é o amor feito, e desfeito.
Vesti-me a preceito para me dizer que me amo, e não esperarei pela noite para não mostrar mais infortúnio às estrelas, que morrem para viver mais. E quando eu morrer, quando eu morrer não quero ser uma estrela, quero ser chuva, antes chuva, Inverno, frio, e aroma a tílias na Primavera. Ai pudera eu.
A dor não paga aluguer, a dor não sabe ficar num só lugar do corpo. E se não fica é porque nunca houve amor. Mas vou chegar, quando chegar, encontrar-me no destino que me espera, dizer-me que me amo para me doer a cada dia mais. São tantas dores quantos amores que me tenho e não tenho corpo para mais dor. No final é só o amor que me quero.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Mordemos a maçã envenenada do pudor ao castigo, fazes-te dele inimigo para me seres, ao invés do que te mentes. E somos impotentes no mundo, mesmo que me toques no fundo da alegria. E eu, eu só me ria. Eu só me ria do medo, esse que é leda inspiração em que te aconchego.
Metes-me raiva ao sossego que deliras no meu corpo, e contínuo sem saber o que é isso, ou se me afecto ao impossível. Metes-me raiva.
Estamos abertos ao que me aguentas, se me atentas dizes fazer-te de mim dono, talvez mais tarde o sejas, dono, dono do meu abandono.
Não te deixes prender-te no que te afecto , e detecta o cheiro das minhas vontades, sejam elas liberdades de ti ou de mim, sente-me assim, se te deixas.
Mordemos o isso de cada um, talvez nenhum, e o teu calor deixa-me presa a esse pudor de castigo. Fazes-te dele amigo, faço-me dele inimiga, desse meu castigo que te castiga.
Metes-me raiva ao sossego que deliras no meu corpo, e contínuo sem saber o que é isso, ou se me afecto ao impossível. Metes-me raiva.
Estamos abertos ao que me aguentas, se me atentas dizes fazer-te de mim dono, talvez mais tarde o sejas, dono, dono do meu abandono.
Não te deixes prender-te no que te afecto , e detecta o cheiro das minhas vontades, sejam elas liberdades de ti ou de mim, sente-me assim, se te deixas.
Mordemos o isso de cada um, talvez nenhum, e o teu calor deixa-me presa a esse pudor de castigo. Fazes-te dele amigo, faço-me dele inimiga, desse meu castigo que te castiga.
terça-feira, 1 de julho de 2014
Este jogo de bestas e animais em que sussurramos, gememos vontades, gritamos quereres, deixa-me louca. Porque há algo entre o querer permanecer calada e o tocar-te, são sonhos siameses impelidos por não dizer nada. E nós somos siameses do nada, perdidos entre o prazer que nos dá querer mais. E não me deixes mentir quando te digo entre a pele que te quero mais, não me deixes mentir.
Agarras-me com a força de um leão, o leão que és. Agarras-me com a força, agarras-me com as palavras, talvez nem penses em prender. Talvez nem penses em prender-me.
Somos ambos efémeros e nem percebemos que disfarçamos a chuva nessa tortura de prazeres: os teus e os meus como dever do inalcançável. Mais uma vez, perdoa-me por querer juntar o fogo e a noite, por querer livrar as tuas sombras, ou por querer adormecer entre elas.
Agarras-me com a força de um leão, o leão que és. Agarras-me com a força, agarras-me com as palavras, talvez nem penses em prender. Talvez nem penses em prender-me.
Somos ambos efémeros e nem percebemos que disfarçamos a chuva nessa tortura de prazeres: os teus e os meus como dever do inalcançável. Mais uma vez, perdoa-me por querer juntar o fogo e a noite, por querer livrar as tuas sombras, ou por querer adormecer entre elas.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Porque o que foi assim se foi, mereço descanso. Dizem algumas pessoas que o aroma a tílias lhes faz mal.
"Acorda-me", disseste, "Mas acorda-me só quando o sonho terminar". E assim foi, como se eu estivesse dentro dos teus sonhos a impedir realidades. Nada seria obsoleto, nada seria impossível. Mas na verdade acordei-te quando o sonho terminou. Ai, e como eu queria poder marcar como o aroma a tílias, como eu queria poder dizer-te o meu segundo nome, o terceiro passado algum tempo. Poesia já te havia lido, palavras já havíamos trocado entre olhares, mais sinceras talvez que o meu segundo nome, ou terceiro. Ambos sabíamos que nada disso interessaria se houvessem tílias, aromas, tudo e qualquer coisa mais forte que qualquer pudor. O pudor e o medo não crescem no aroma das plantas, logo nem em sonhos, nem em despertares iria cria-los. Estava ciente disso, acho que ambos estávamos. Assim que acordaste quis-te mais. Perguntei o teu segundo nome. Disseste que ficava para outro dia, para outro sonho, para outro aroma, para outro despertar. Engraçado, nunca mais te vi desde que acordei.
"Acorda-me", disseste, "Mas acorda-me só quando o sonho terminar". E assim foi, como se eu estivesse dentro dos teus sonhos a impedir realidades. Nada seria obsoleto, nada seria impossível. Mas na verdade acordei-te quando o sonho terminou. Ai, e como eu queria poder marcar como o aroma a tílias, como eu queria poder dizer-te o meu segundo nome, o terceiro passado algum tempo. Poesia já te havia lido, palavras já havíamos trocado entre olhares, mais sinceras talvez que o meu segundo nome, ou terceiro. Ambos sabíamos que nada disso interessaria se houvessem tílias, aromas, tudo e qualquer coisa mais forte que qualquer pudor. O pudor e o medo não crescem no aroma das plantas, logo nem em sonhos, nem em despertares iria cria-los. Estava ciente disso, acho que ambos estávamos. Assim que acordaste quis-te mais. Perguntei o teu segundo nome. Disseste que ficava para outro dia, para outro sonho, para outro aroma, para outro despertar. Engraçado, nunca mais te vi desde que acordei.
Por enquanto não sei o seu nome, chamo-lhe sincero. Chamo-lhe retrógrado. Com o seu "sem querer" pago as contas aos dias que me vão faltando e digo-lhe olá, com o meu bom mau querer. Talvez me custe, ainda, estar a criar-lhe atenção. Este jogo de bestas e animais em que sussurramos vontades antigas não nos trará nada de novo, mas ambos sabemos que existe.
Sente-se o aroma a tílias pelas ruas, e o calor o espalha. No meu corpo derrete-se o ar. Aqui, deste pequeno arquivo de sentimentos, vendo sorrisos em troca de sorrisos, mistérios em troca de mistérios, e ao final de contas não me cedo. E é tão cedo nesta marimbância de costuras em que me visto. A seriedade da loucura é-me impertinente.
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