sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Aqui deserto, na culpa de querer sentir, na capacidade de dormir no relento de mim mesma, à espera. À espera, aqui deserto, nesta saudade-raiva de querer mais do menos e de me deixar ter menos que mais, que o mais desta raiva-saudade. E a madrugada oculta-me o sangue, faz-me espremer mentiras que me seduzem a mente, que me acorrentam com a negra vontade de o ter mais perto. De me ter mais perto.
E as luzes nos candeeiros servem para criar sombras, diferentes a cada um dos meus passos, ora pela esquerda, ora pela direita, na estática solidão de não saber o caminho.
Aqui deserto, sob a culpa de não querer sentir, e o medo de me ter, de me ter mais perto. Tatuo aromas na minha pele para me saber viva, que seja apenas na pele, e eu odeio quando fica parado a degustar essa minha solidão, o tempo. E eu odeio esse sorriso que ele me faz por me achar jovem, quando a cada dia encontro mais rugas escondidas pelos aromas na minha pele. Fico deserta.

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