Este jogo de bestas e animais em que sussurramos, gememos vontades, gritamos quereres, deixa-me louca. Porque há algo entre o querer permanecer calada e o tocar-te, são sonhos siameses impelidos por não dizer nada. E nós somos siameses do nada, perdidos entre o prazer que nos dá querer mais. E não me deixes mentir quando te digo entre a pele que te quero mais, não me deixes mentir.
Agarras-me com a força de um leão, o leão que és. Agarras-me com a força, agarras-me com as palavras, talvez nem penses em prender. Talvez nem penses em prender-me.
Somos ambos efémeros e nem percebemos que disfarçamos a chuva nessa tortura de prazeres: os teus e os meus como dever do inalcançável. Mais uma vez, perdoa-me por querer juntar o fogo e a noite, por querer livrar as tuas sombras, ou por querer adormecer entre elas.
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