Sei-me inteira e insegura, de esqueleto raso, completa, sei-me mulher, excêntrica, indiscreta, discretamente me desafio a ser. A ser-me.
Sei-me crónica numa mesa de pastelaria onde não vou, textos guardados e perdidos, por um café que se derrubou, há anos.
Sei-me poema de leitura difícil, de impossível interpretação, não sei ser lida com o peito, quanto mais com a razão.
Sei-me prosa esquecida, sem pontuação. Sei o que não sei de mim, só não sei o momento de o procurar, ou onde, porque de resto sei-me tudo.
E de tudo o que resta de mim, ainda não sei mais nada. Não sei se sou noite, manhã, tarde ou madrugada, revelo-me com o sol crepuscular ou com as noites sem lua. E não tenho medo de, perante mim, posar nua. Porque no espelho nada mais vejo que o espaço que ainda tenho para me saber mais.
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