segunda-feira, 12 de julho de 2021

 Ai.... A liberdade. Palavra proibida nos tempos que correm. Somos livres quando somos crianças, e levamos o balde e a pá para construir o castelo dos nossos sonhos. Com areia da praia, é certo, mas aí sim, somos engenheiros dos nossos próprios desmoronamentos. Deitamos abaixo para construir mais. Ai. Essa, essa liberdade. Não sabia quando, mas ia. Levavam-me. E na areia da praia fazia a minha cidade. Na minha liberdade.

Não sabia quando, mas ia. Levaram-me e lá fiquei. A fazer castelos na areia. Engenheira da minha própria torre. E a liberdade vai com as ondas na maré vaza. Fica a vontade de ser pequena e não ter vergonha de ir buscar areia no meu balde. Mesmo que houvesse medo de ir buscar água para molhar a areia que entretanto secava.

É. Sou grande demais. Fica a saudade. Os baldes são maiores, não trazem nem levam só areia. Será assim tão imoral, serei assim tão anormal ao ponto de não conseguir querer mais recordações? Ser pequena era tão bom. Engenheira das minhas construções. Tenho medo de ser grande. O balde pesa. Guardo neles sonhos. Sem grandes castelos, já. Vontade, só de os enterrar na areia para mantê-los. Depois, nem vê-los... 

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