domingo, 17 de maio de 2020

A uma amiga. Perdoa-me a lucidez. Perdoa-me também o dizê-lo assim.

Poderia estar a falar sobre mim, mas não, vou antes dedicar-lhe a ela estas palavras. Ela, que não se sabe, ela que não é mulher de ninguém e que assim tanto o deseja, chega a confinar os pensamentos a uma prisão que criou em união, achando-o por si belo, mas por não ser de ninguém, cada tijolo desse seu castelo se faz desmoronar. 
Sabes, eu ainda guardo a minha torre dos sonhos, aquela que quem me tem não sabe que existe ou existiu, e que, quem me tem, talvez não compreenda a sua existência. 
Sabes, eles não sabem sonhar. Quando sonham, tornam-no algo tão egoísta e tão efémero que nos fazem parecer que somos as guardadoras dos seus sonhos. Já me disseram 5 anos e bem mais se passaram, que se casariam comigo e me levariam para o palácio escondido nas honduras, lá nos precipícios dos quais passadas semanas me fizeram cair. 
Sabes, eles não são Deuses, nem deuses, eles não nos criaram, foram os nossos pais que nos criaram. E essa capacidade que têm de nos inventar sonhos e de nos fazer crer que os seus são os nossos, é uma mentira tão descabida. Quem é capaz de sonhar somos nós, e sonhamos a cores.
Aquilo que destilas a preto e branco como ódio, nem sequer lhe chega, só te abate a ti. E essa falta de vontade de viver que prescreves a partir da vida que d'Ele vês e te agonia, só te tira a fome. 
Pensa: quem te alimenta és tu, ninguém mais virá para o fazer se tu não o souberes. Tens que te garantir. Tens que rir. Tens que viver. Tens que sonhar. A cores.

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