"Mãe, nunca demos a volta ao mundo?"
"Não, ainda não tivemos oportunidade."
"Ia demorar muito não era?"
"Ia demorar 80 dias".
E os dias foram passando. E naquela mente pura de quatro aninhos oitenta dias seria demais para conhecer o mundo. E hoje, oitenta dias seriam, para mim, tempo a menos para o desconhecer. Não, ainda não tive oportunidade, e dar a volta ao mundo não me cativa tanto como quando eu tinha quatro anos e queria tanto chegar à Lua.
terça-feira, 22 de julho de 2014
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Acordei. Acordei há pouco mais uma vez com vontade de ver o Outono chegar, o Outono... Pisar as folhinhas do chão na anormalidade de ver o frio chegar na sua época, poder agasalhar-me como protecção quando me sinto tão vulnerável no Verão. O Verão é assim, a vulnerabilidade das pessoas na pele e nos sentimentos, tocam-se mais rápido, foge-se mais cedo, não se pede e quase não se permite o conforto.
Tentei adormecer e acordei depois. Façam-se velhas aquelas que foram outras conquistas, que preciso de conquistas novas, tudo na minha anormalidade.(...)
Tentei adormecer e acordei depois. Façam-se velhas aquelas que foram outras conquistas, que preciso de conquistas novas, tudo na minha anormalidade.(...)
Há tantas belezas perdidas no mundano. A cada passo é mais uma que se perde, deixamo-la arrastar-se circunscrita à incapacidade de ser vista, admirada, apaixonada, devastada pela consolidação do que a veste. E é vê-la dançar, dançar-se no entretanto, incapaz de se conhecer, a beleza do mundano.
A beleza quer ser pura, quer deixar-se de loucuras, adormecer e sonhar, feita bela adormecida que ninguém vem acordar. Diz-se ela querer ser desatenta e ao invés de tudo, deixar-se ficar no estrelato intemporal de sorrisos descabidos inundados em ternura.
Há tantas belezas perdidas no mundano.
A beleza quer ser pura, quer deixar-se de loucuras, adormecer e sonhar, feita bela adormecida que ninguém vem acordar. Diz-se ela querer ser desatenta e ao invés de tudo, deixar-se ficar no estrelato intemporal de sorrisos descabidos inundados em ternura.
Há tantas belezas perdidas no mundano.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Sentei-me no chão da varanda para pedir as estrelas, e o céu se abriu. Impaciência aquela de não saber já lê-las, impaciente ser que o céu doce me tornou. Impaciente. E assim foi. As nuvens se soltaram da prisão de Deus para me receber, e me senti obrigada a entregar-me. Do pouco que tinha restavam reles carências, afogadas no infortúnio de não ser mais eu, impaciente. Saudades de quando a Lua me tornava vulnerável, de quando o vento me fazia frio, saudades de quando os odores me faziam atingível, tangível aos desígnios de Deus, que me guardara. E hoje protesto, pedindo às estrelas que não me deixem adormecer no entretanto de não saber lê-las, que me deixem lida e eu saberei dormir.
Voltei para dentro, não pelo frio, voltei-me para dentro, e nada. O vento tapou as estrelas, que apesar de longe sabe retê-las, e a Lua já nem sabe sequer o meu nome. Preencheram-se ou não os vagos caminhos, que na luz intensa não soube seguir. Fiz-me velha represa de sentimentos e hoje ninguém me faz rir, hoje ninguém me faz vir nas certezas que retenho, que evito ao som do silêncio.
Pois hoje nada sou, sou infortunada, aquilo que fui de mim, fez-se mal amada, quis sentir-me e só me sentei, a ver as estrelas, mudadas pelo vento, que apesar de longe sabe movê-las da sua sedução. Malditas estrelas que são como eu, vem o vento tapá-las e elas se vão, na frieza se ficam para amanhã voltar o seu brilho constante que não sabe amar, dependentes daquilo do qual dependi são as estrelas mais amadas, e eu assim morri.
Vou deixar de me ler como li as estrelas, orações talvez me façam dormir, e hoje nada me faz rir, hoje nada me faz vir nos entretantos. Fiz saber-me no encanto que não há tal coisa. Entretantos vêm e vão. Se ficam já não existem e é certo que, se persistem, não farão ninguém rir.
Falemos de confiança, ou talvez não. Ficarão no silêncio como a paixão, que a paixão que se fala não tem destino.
Sentei-me, há pouco, no chão da varanda, o destino não me levou a mais nenhuma artimanha, estou cansada. Falarei mais de mim, no sorriso das estrelas, quando me souberem ler, saberei eu lê-las. E a paixão surgirá pela natureza, se me trouxer mais que apenas a sua beleza. Estou a rimar demais, vou-me deitar que a poesia por si não me vai trazer amor. Deduzo que as palavras ficarão assentes lá onde estão as estrelas, talvez como eu, dementes.
Voltei para dentro, não pelo frio, voltei-me para dentro, e nada. O vento tapou as estrelas, que apesar de longe sabe retê-las, e a Lua já nem sabe sequer o meu nome. Preencheram-se ou não os vagos caminhos, que na luz intensa não soube seguir. Fiz-me velha represa de sentimentos e hoje ninguém me faz rir, hoje ninguém me faz vir nas certezas que retenho, que evito ao som do silêncio.
Pois hoje nada sou, sou infortunada, aquilo que fui de mim, fez-se mal amada, quis sentir-me e só me sentei, a ver as estrelas, mudadas pelo vento, que apesar de longe sabe movê-las da sua sedução. Malditas estrelas que são como eu, vem o vento tapá-las e elas se vão, na frieza se ficam para amanhã voltar o seu brilho constante que não sabe amar, dependentes daquilo do qual dependi são as estrelas mais amadas, e eu assim morri.
Vou deixar de me ler como li as estrelas, orações talvez me façam dormir, e hoje nada me faz rir, hoje nada me faz vir nos entretantos. Fiz saber-me no encanto que não há tal coisa. Entretantos vêm e vão. Se ficam já não existem e é certo que, se persistem, não farão ninguém rir.
Falemos de confiança, ou talvez não. Ficarão no silêncio como a paixão, que a paixão que se fala não tem destino.
Sentei-me, há pouco, no chão da varanda, o destino não me levou a mais nenhuma artimanha, estou cansada. Falarei mais de mim, no sorriso das estrelas, quando me souberem ler, saberei eu lê-las. E a paixão surgirá pela natureza, se me trouxer mais que apenas a sua beleza. Estou a rimar demais, vou-me deitar que a poesia por si não me vai trazer amor. Deduzo que as palavras ficarão assentes lá onde estão as estrelas, talvez como eu, dementes.
domingo, 13 de julho de 2014
O papel rasgado num canto é demasiado grande para o que tenho para te dizer no bilhete de partida. Partir ou chegar vem hoje disso, da libertação do sobretudo de culpas que vestes, da minha libertação das tuas culpas.
O bilhete de partida é sempre mais caro que o de chegada, ou volta, e aqueles que dizem que somos feitos de estrelas não sabem da missa metade, mas talvez isso explique os brilhos e as luzes que foram apagados quase de longe, por tão perto terem acontecido partilhas.
Não sei nem ninguém sabe sobre as promessas, as desculpas e os "obrigados" que pagavam cada gesto, como se fosse um negócio de sentimentos, compra e venda de sentimentos. Derretê-los para revenda. Que comédia de interrupções alienadas sobre inteligências esquecidas, tal e qual como o que é dito e se esquece de seguida, é hilariante a efemeridade dos carinhos quando as tormentas se sobrepõem.
Entrei no comboio para voltar, na última carruagem para não me seguires, com o papel rasgado sem palavras, repleto de sentimentos que me castigam por não querer voltar. Num bolso, o bilhete, no outro, um rasgão que me permite guardar lá o amor que tinha para dar, vai escorregando aos poucos, fazendo-me tropeçar a cada passo. E é assim que eu me desgraço. E de desgraças é o amor feito, e desfeito.
Vesti-me a preceito para me dizer que me amo, e não esperarei pela noite para não mostrar mais infortúnio às estrelas, que morrem para viver mais. E quando eu morrer, quando eu morrer não quero ser uma estrela, quero ser chuva, antes chuva, Inverno, frio, e aroma a tílias na Primavera. Ai pudera eu.
A dor não paga aluguer, a dor não sabe ficar num só lugar do corpo. E se não fica é porque nunca houve amor. Mas vou chegar, quando chegar, encontrar-me no destino que me espera, dizer-me que me amo para me doer a cada dia mais. São tantas dores quantos amores que me tenho e não tenho corpo para mais dor. No final é só o amor que me quero.
O bilhete de partida é sempre mais caro que o de chegada, ou volta, e aqueles que dizem que somos feitos de estrelas não sabem da missa metade, mas talvez isso explique os brilhos e as luzes que foram apagados quase de longe, por tão perto terem acontecido partilhas.
Não sei nem ninguém sabe sobre as promessas, as desculpas e os "obrigados" que pagavam cada gesto, como se fosse um negócio de sentimentos, compra e venda de sentimentos. Derretê-los para revenda. Que comédia de interrupções alienadas sobre inteligências esquecidas, tal e qual como o que é dito e se esquece de seguida, é hilariante a efemeridade dos carinhos quando as tormentas se sobrepõem.
Entrei no comboio para voltar, na última carruagem para não me seguires, com o papel rasgado sem palavras, repleto de sentimentos que me castigam por não querer voltar. Num bolso, o bilhete, no outro, um rasgão que me permite guardar lá o amor que tinha para dar, vai escorregando aos poucos, fazendo-me tropeçar a cada passo. E é assim que eu me desgraço. E de desgraças é o amor feito, e desfeito.
Vesti-me a preceito para me dizer que me amo, e não esperarei pela noite para não mostrar mais infortúnio às estrelas, que morrem para viver mais. E quando eu morrer, quando eu morrer não quero ser uma estrela, quero ser chuva, antes chuva, Inverno, frio, e aroma a tílias na Primavera. Ai pudera eu.
A dor não paga aluguer, a dor não sabe ficar num só lugar do corpo. E se não fica é porque nunca houve amor. Mas vou chegar, quando chegar, encontrar-me no destino que me espera, dizer-me que me amo para me doer a cada dia mais. São tantas dores quantos amores que me tenho e não tenho corpo para mais dor. No final é só o amor que me quero.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Mordemos a maçã envenenada do pudor ao castigo, fazes-te dele inimigo para me seres, ao invés do que te mentes. E somos impotentes no mundo, mesmo que me toques no fundo da alegria. E eu, eu só me ria. Eu só me ria do medo, esse que é leda inspiração em que te aconchego.
Metes-me raiva ao sossego que deliras no meu corpo, e contínuo sem saber o que é isso, ou se me afecto ao impossível. Metes-me raiva.
Estamos abertos ao que me aguentas, se me atentas dizes fazer-te de mim dono, talvez mais tarde o sejas, dono, dono do meu abandono.
Não te deixes prender-te no que te afecto , e detecta o cheiro das minhas vontades, sejam elas liberdades de ti ou de mim, sente-me assim, se te deixas.
Mordemos o isso de cada um, talvez nenhum, e o teu calor deixa-me presa a esse pudor de castigo. Fazes-te dele amigo, faço-me dele inimiga, desse meu castigo que te castiga.
Metes-me raiva ao sossego que deliras no meu corpo, e contínuo sem saber o que é isso, ou se me afecto ao impossível. Metes-me raiva.
Estamos abertos ao que me aguentas, se me atentas dizes fazer-te de mim dono, talvez mais tarde o sejas, dono, dono do meu abandono.
Não te deixes prender-te no que te afecto , e detecta o cheiro das minhas vontades, sejam elas liberdades de ti ou de mim, sente-me assim, se te deixas.
Mordemos o isso de cada um, talvez nenhum, e o teu calor deixa-me presa a esse pudor de castigo. Fazes-te dele amigo, faço-me dele inimiga, desse meu castigo que te castiga.
terça-feira, 1 de julho de 2014
Este jogo de bestas e animais em que sussurramos, gememos vontades, gritamos quereres, deixa-me louca. Porque há algo entre o querer permanecer calada e o tocar-te, são sonhos siameses impelidos por não dizer nada. E nós somos siameses do nada, perdidos entre o prazer que nos dá querer mais. E não me deixes mentir quando te digo entre a pele que te quero mais, não me deixes mentir.
Agarras-me com a força de um leão, o leão que és. Agarras-me com a força, agarras-me com as palavras, talvez nem penses em prender. Talvez nem penses em prender-me.
Somos ambos efémeros e nem percebemos que disfarçamos a chuva nessa tortura de prazeres: os teus e os meus como dever do inalcançável. Mais uma vez, perdoa-me por querer juntar o fogo e a noite, por querer livrar as tuas sombras, ou por querer adormecer entre elas.
Agarras-me com a força de um leão, o leão que és. Agarras-me com a força, agarras-me com as palavras, talvez nem penses em prender. Talvez nem penses em prender-me.
Somos ambos efémeros e nem percebemos que disfarçamos a chuva nessa tortura de prazeres: os teus e os meus como dever do inalcançável. Mais uma vez, perdoa-me por querer juntar o fogo e a noite, por querer livrar as tuas sombras, ou por querer adormecer entre elas.
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