Sentámo-nos em pedras onde crescem aquelas flores pequeninas que lhes dão um tom rosa digno dos contos de fada. Não sabemos nem tão cedo saberemos o seu nome. Quando crescemos, redescobre-se o que é a amizade, e que é algo muito maior que as palavras com que a descrevemos aos mais pequeninos. No fim de contas, a amizade é o que vêem e recebem de nós. Às vezes é estarmos calados quando queremos falar e falar quando devíamos estar calados, mas sem imposições. Às vezes é sentarmo-nos naquelas pedras onde crescem as flores pequeninas que parecem cor de rosa mas que são afinal brancas, e imaginar que são azuis como o céu de onde se desvenda a sombra que é criada pelas nuvens nos socalcos. E às vezes a amizade é só isso, sem mais nada: uma palavra que, sem ser dita, se compreende, um abraço que sem se poder dar, se sente.
sábado, 8 de maio de 2021
terça-feira, 2 de fevereiro de 2021
Querem os restos da chuva que continua a cair que eu me desfaça em peças, qual puzzle.. Quer a Senhora das Candeias que o Verão chegue depressa e também eu. Mas, no entanto chove, e o vento tão forte parece que leva Outono, Inverno, e tudo quanto é estação.
Eu, de momento, encontro-me estacionada e revisto-me de mantas, cada qual com a sua história. Uso-as para me cobrir do frio e para me proteger da memória. Uso-as para tapar a cabeça e para me refugiar dos fantasmas e ainda assim, afago-os. São amigos, requerem conforto.
É que nesta assíncrona do vento que sopra de sul com a chuva que cai de norte, a roupa não seca e a mente peca. Fico-me à espera do sonho entre o sono e de o conseguir recordar acordada. É que hoje temos tanto medo desses fantasmas como da vida que desaba, da peste. E sorrimos quando, do horizonte a resposta chega a cores: aquele perfume a tílias em que prendemos amores, e sonhos.
No fim, tudo o que passa disso são transtornos. Tornemo-os risonhos, não medonhos. Tornemo-os conquistas imprevistas. Sejamos quem somos, cada um por si, mas menos egoístas.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2021
Esta tarde deparei-me a caminhar com uma vontade de sentir o calor do frio como há muito não subscrevia. Senti saudades. Na Avenida da Liberdade senti uma prisão aos sentires alheios que me entristeceu, que me fez duvidar da pseudo-vaidade que tinha em ser eu.. Não sei razões. Como alguém que deambula sem sonho fui-me rebuscar ao calor dos olhares dos amantes que se escondiam à vista de todos em bancos de jardim, e reluziu dentro de mim a saudade, quais luzes de natal no centro da cidade, senti saudades de mim.
Andei tanto quanto o possível, com medo de descer e não ter pernas para subir, juntei os meus trapos e os meus remendos e endireitei as costas, porque só assim se consegue olhar e ver, reparar na luz, na iluminação. Tudo o resto são sombras. Escreveria o livro da pandemia, o da pandemia e o do pandemónio, mas escasseia-me o tempo e não há cabeça para obras.
Fechei para manutenção antes que algo avarie, porque nestas luzes que o Natal traz, podem falhar uma, duas, que às três falha tudo de vez.
Até qualquer dia em que me iluda. Em que o sentimento a minha alma desnude. Porque hoje, só hoje, caminhei em cima das minhas sobras, de costas direitas, passo largo e veloz, para não ter que ver, para não ter que reparar, porque tenho inveja desses amantes que não ligam ao pandemónio.
domingo, 7 de junho de 2020
domingo, 24 de maio de 2020
Ficam os desaparecidos pelas quedas desprendidas,
E as recordações de mim já não encaixam por entre elas.
Fragmentos são grandes e pequenos, de estatura média,
Para guardar as jóias que me sobram do desapreço,
Vagueei pelas ruas do medo sozinha para os encontrar,
Todos os fragmentos que dentro do coração esqueço.