No caminho para todas as praias que conheço em Portugal, ou pelo menos daquelas de que melhor me recordo, há sempre aquela casa pintada de cor de rosa no exterior. Lembro-me de, em criança, associar a casa cor de rosa ao "estamos a chegar". O momento da chegada embebia-se num aroma a maresia e a salitre, num cheiro que se prendeu na minha memória como a naftalina, mas melhor, num sentido melhor. Mas a casa cor de rosa. Os canaviais à beira da estrada e as suculentas que crescem na areia eram, para mim, o sinal de que o mar já estava perto. Hoje não reparei nesses pormenores que tanto me deixavam ansiosa na infância, hoje fui eu que levei o carro e não havia pressas. Estava sozinha, por isso também não houve grandes sorrisos. Ficou só o mar.
À medida que cresci, o mar foi perdendo ou ganhando créditos, as marés mudaram, e há mais praias.
Hoje talvez sonhe mais com o cheiro do regresso a casa depois das férias, ver as persianas corridas e a casa limpa e pronta para me receber. (...)
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