quarta-feira, 25 de março de 2015

Sentada numa mesa hipotética, e hipoteticamente de lápis na mão, rabisco palavras umas a seguir às outras. Qual letra de médico, qual quê. Custa-me a acreditar que o poder da invisibilidade do sentimento seja assim corrompido. Nesta ponta da mesa imagino-me no meu redondo pensamento de arestas interiores feita quartzo ametista de uma beleza que se confunde com a passiva-agressividade em que me verto. Bebo um chá para chamar o descanso, inoportuno anjo que desaparece em castigos contínuos, bebo o chá onde fervi a paz. Acho que a fervi demais, ficou amargo. Pois é, a paz deve beber-se a puro.
Bem, sentada nesta mesa hipotética e hipoteticamente falando descasco as palavras que rabisco como corpos que usei um dia na imaginária procura de mim, e o que fui entretanto fez-me assim. Ai! Como me revolta a inconstância deste tempo em que mal me sinto. Não sei se o perca ou se me desminta à velocidade fraca em que conjugo as palavras que tanto tento ver nuas. Ai! O que será de mim se me faço transparente e me minto opaca. Não sei de onde vem a revolta, sei que me desfoca, tão intensamente que me ofusca o escuro. O chá acabou. E eu preciso profundamente de um aroma a tílias. O chá de paz não me bastou.

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