Entrego o que tenho. Entrego tudo o que tenho para me ver livre dos demónios.
Vivem debaixo da minha pele como sanguessugas que me feriram fundo os medos, que penetraram nas ranhuras das unhas dos meus dedos para me fazerem dizer que não. Os demónios não me dão sossego, os demónios tiram-me a razão! E até o sentir que já senti foge, como abutre inconsolado, rastejante lagarto alado, não tem já o que comer. Guardou tudo p'rós demónios, esses seres fúteis e erróneos que quero ver morrer.
quarta-feira, 25 de março de 2015
Sentada numa mesa hipotética, e hipoteticamente de lápis na mão, rabisco palavras umas a seguir às outras. Qual letra de médico, qual quê. Custa-me a acreditar que o poder da invisibilidade do sentimento seja assim corrompido. Nesta ponta da mesa imagino-me no meu redondo pensamento de arestas interiores feita quartzo ametista de uma beleza que se confunde com a passiva-agressividade em que me verto. Bebo um chá para chamar o descanso, inoportuno anjo que desaparece em castigos contínuos, bebo o chá onde fervi a paz. Acho que a fervi demais, ficou amargo. Pois é, a paz deve beber-se a puro.
Bem, sentada nesta mesa hipotética e hipoteticamente falando descasco as palavras que rabisco como corpos que usei um dia na imaginária procura de mim, e o que fui entretanto fez-me assim. Ai! Como me revolta a inconstância deste tempo em que mal me sinto. Não sei se o perca ou se me desminta à velocidade fraca em que conjugo as palavras que tanto tento ver nuas. Ai! O que será de mim se me faço transparente e me minto opaca. Não sei de onde vem a revolta, sei que me desfoca, tão intensamente que me ofusca o escuro. O chá acabou. E eu preciso profundamente de um aroma a tílias. O chá de paz não me bastou.
Bem, sentada nesta mesa hipotética e hipoteticamente falando descasco as palavras que rabisco como corpos que usei um dia na imaginária procura de mim, e o que fui entretanto fez-me assim. Ai! Como me revolta a inconstância deste tempo em que mal me sinto. Não sei se o perca ou se me desminta à velocidade fraca em que conjugo as palavras que tanto tento ver nuas. Ai! O que será de mim se me faço transparente e me minto opaca. Não sei de onde vem a revolta, sei que me desfoca, tão intensamente que me ofusca o escuro. O chá acabou. E eu preciso profundamente de um aroma a tílias. O chá de paz não me bastou.
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