Já em tempos escrevi sobre ser mulher e sobre a vontade de voltar a ser criança. Já senti a vontade de ser tão pequenina, o possível para voltar para dentro da minha mãe, uma das minhas mulheres.
Ser mulher não se compara sequer ao facto de se ter um corpo ou de se saber o que se faz com ele, mas tanto mais ter uma cabeça e um coração e, na nossa razoabilidade, conseguir conjugar as duas coisas. O corpo fica para o fim nas coisas que completam a mulher. Suponho.
Houve alturas em que acreditei que ser mulher era o que antes disse, saber as limitações do nosso corpo, mas é tanto e tão mais que isso. É prepararmo-nos para criar alguém que nas situações difíceis, queira recorrer-nos, e nas situações mais tranquilas, queira tranquilizar-nos. Mas o desejar não passa por exigir, e o querer não significa ter que ter. Sejamos então mulheres, muitas vezes sacrifício de nós próprias para criar. As mulheres precisam de nunca se sentir gastas ou vazias, as mulheres precisam de nunca se sentir usadas ou enganadas, e esse conhecimento que é necessário para que sejam mulheres, é metafísico, vai além daquilo que podemos fazer com o nosso corpo, vai além do saber dizer que sim ou que não, e é tanto não ter que passar pela vontade de voltar, mas sabendo que teremos sempre o refúgio da nossa mulher, da nossa mãe. Eu quero muito as mulheres da minha vida. Minha mãe, minha irmã, minha avó. Aquelas todas que por tantas vezes, acredito, tiveram vontade de voltar para a barriguinha das mulheres delas.
sábado, 7 de março de 2020
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020
Porque as papoilas também são vermelhas e, das estrelas, não se sabe a cor. Podia relatar mil e uma noites de existência, ou talvez mais uma ou outra de amor, mas para quê?
Aqueles que se querem crianças são obrigados a ser adultos, e os outros eutanasiam a sua existência com vontades que hoje em dia não deveriam existir.
Remeto-me a pensar que a pouca diversidade de Homens nem sequer quer ser mais, ou Ser mais. Ensinar a ler ou a escrever quase se torna impossível hoje em dia, e aprendê-lo, ainda mais difícil. Acredita-se no que é visível e palpável, não se sabe ver nem se sabe tocar, acredita-se na vida mais do que na morte, mas não se sabe viver.
Querer mudar o mundo seria um começo, mas são tantos os mundos a querer mudar e todos, tal como cada um, só pensam no seu. Já falei e escrevi muitas vezes sobre querer ser mais e fazendo as contas à vida, de pouco ou nada me desfiz. Agora, o que é certo é que quis e continuo a querer, talvez por erro de consciência, fazer dos outros mais. E, parafraseando esse sonho, será falta de consciência querê-lo?
Subverto as situações internas com a motivação de fazer mais, e aos poucos, sinto que faço. Um texto inacabado que ninguém lê, ou sente, ou interpreta da mesma forma.
Continuo a querer mais de quem quer menos. Mas termino o texto com o receio de que a alguém lhe caiba a carapuça, como se costuma dizer.
Aqueles que se querem crianças são obrigados a ser adultos, e os outros eutanasiam a sua existência com vontades que hoje em dia não deveriam existir.
Remeto-me a pensar que a pouca diversidade de Homens nem sequer quer ser mais, ou Ser mais. Ensinar a ler ou a escrever quase se torna impossível hoje em dia, e aprendê-lo, ainda mais difícil. Acredita-se no que é visível e palpável, não se sabe ver nem se sabe tocar, acredita-se na vida mais do que na morte, mas não se sabe viver.
Querer mudar o mundo seria um começo, mas são tantos os mundos a querer mudar e todos, tal como cada um, só pensam no seu. Já falei e escrevi muitas vezes sobre querer ser mais e fazendo as contas à vida, de pouco ou nada me desfiz. Agora, o que é certo é que quis e continuo a querer, talvez por erro de consciência, fazer dos outros mais. E, parafraseando esse sonho, será falta de consciência querê-lo?
Subverto as situações internas com a motivação de fazer mais, e aos poucos, sinto que faço. Um texto inacabado que ninguém lê, ou sente, ou interpreta da mesma forma.
Continuo a querer mais de quem quer menos. Mas termino o texto com o receio de que a alguém lhe caiba a carapuça, como se costuma dizer.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019
É que as viagens nas estrelas são difíceis quando a locomotiva é estática, só um enfeite desenhado, talvez um cavalo alado deixasse que fosse vê-las. A fortuna do imperfeito é mais sincera quando as asas que se têm não nos permitem voar. Ficássemos talvez a ver as estrelas, por mais que seja a egoísta vontade, não podemos tê-las, e os carris assim já nos podem guiar.
Mas quem sou eu? Já que não sou sonhadora, vereadora das minhas vontades talvez fosse preferível, no mínimo chegar a meio do caminho p'ró intangível, quem sou eu?
A pergunta é constante, tento encontrar-me a cada instante nos espaços negros do céu.
É que além de difíceis, são caras, essas viagens para as estrelas. Prefiro o escuro da noite, perder-me na face escondida, talvez não me encontraria perdida, sentada na locomotiva que não anda, vereadora das vontades, nos sonhos ninguém manda, encontrar a volta na ida.
Mas quem sou eu? Já que não sou sonhadora, vereadora das minhas vontades talvez fosse preferível, no mínimo chegar a meio do caminho p'ró intangível, quem sou eu?
A pergunta é constante, tento encontrar-me a cada instante nos espaços negros do céu.
É que além de difíceis, são caras, essas viagens para as estrelas. Prefiro o escuro da noite, perder-me na face escondida, talvez não me encontraria perdida, sentada na locomotiva que não anda, vereadora das vontades, nos sonhos ninguém manda, encontrar a volta na ida.
No início era o tudo:
Uma ostentação cíclica do melhor e do pior do que é humano, uma criação imaginada sobre o nós e os outros, tal criatividade nos era inferida pela vontade do amor.
Eram as palavras as partes do real, e o papável, tão só, na falta de condescendência do que rodeia a imensidão das tretas que tanto se desejam, ainda.
No início, sem querer, as viagens entre os conhecimentos que se faziam do nós e do vós, essa criação. O desejo do tudo passa facilmente ao desejo das partes, tentava-se cuidar a consciência de que o tudo era mais que o nada, mas como tal, tão vago.
Quando do vazio se criam essas tretas, o pouco parece muito, o nada parece tudo, e o início era quase o fim.
Uma ostentação cíclica do melhor e do pior do que é humano, uma criação imaginada sobre o nós e os outros, tal criatividade nos era inferida pela vontade do amor.
Eram as palavras as partes do real, e o papável, tão só, na falta de condescendência do que rodeia a imensidão das tretas que tanto se desejam, ainda.
No início, sem querer, as viagens entre os conhecimentos que se faziam do nós e do vós, essa criação. O desejo do tudo passa facilmente ao desejo das partes, tentava-se cuidar a consciência de que o tudo era mais que o nada, mas como tal, tão vago.
Quando do vazio se criam essas tretas, o pouco parece muito, o nada parece tudo, e o início era quase o fim.
terça-feira, 30 de maio de 2017
E já quando pensava que tinham fugido todos aqueles tiques e pareceres, filhos da ansiedade, chega a chaga do gesticular de volta, fruto da impertinência do querer ser. Os passos tendem a ser poucos e pequenos, pelo que não creio ir longe, mas terá que ser assim, pelo menos durante algum tempo, na falta de voz.
Sonhado ninguém acredita. Cantar é agora impossível, façam-no os pássaros por mim, na madrugada ao romper do dia... Rompam eles o dia por mim. Falando de impertinência, voltam os tiques e os tremeliques no querer mostrar pontos de vista, e sabes que dói? Como se não bastassem os horrores dos sonhos, cai também a incapacidade de expressão. Dizem-na passageira: muito bem, talvez assim volte a escrever. Balelas! Muito bem, talvez assim volte a sentir.
Aquele livro parado a ganhar pó, a mensagem de alguém. Talvez a falta de voz me cure, talvez o cansaço me desperte os prazeres de outros sentidos do sentir ou o sentir dos sentidos. Deixe-me eu de suposições. Vou aquecer no sol da sombra que me cobre: pode ser que alguém de mim sobre.
Sonhado ninguém acredita. Cantar é agora impossível, façam-no os pássaros por mim, na madrugada ao romper do dia... Rompam eles o dia por mim. Falando de impertinência, voltam os tiques e os tremeliques no querer mostrar pontos de vista, e sabes que dói? Como se não bastassem os horrores dos sonhos, cai também a incapacidade de expressão. Dizem-na passageira: muito bem, talvez assim volte a escrever. Balelas! Muito bem, talvez assim volte a sentir.
Aquele livro parado a ganhar pó, a mensagem de alguém. Talvez a falta de voz me cure, talvez o cansaço me desperte os prazeres de outros sentidos do sentir ou o sentir dos sentidos. Deixe-me eu de suposições. Vou aquecer no sol da sombra que me cobre: pode ser que alguém de mim sobre.
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
Esta manhã surpreendi-me pela falta de memória. Esqueci o meu nome. Esqueci quem sou, Perguntei às paredes que ouviram o meu sono se algo sussurrei fora do normal, mas nem elas escutaram os meus sonhos. Esta manhã, quando acordei, quis ser real. Não o real da monarquia, mas algo que se pode tocar e sentir, e perceber na objectividade do mundo, mas a verdade é que nem o meu nome recordei. Parece impossível.
Quis ser princesa, quis ser dragão... Nos meus sonhos incluí todas as espécies raras do senão, única forma de sentir e ser sentida, através do inconsciente. Talvez por isso durma tanto, por ser impotente, por ser infértil à velocidade do tempo, Sinto-me velha, ainda antes dos 30. Procuro a paz.
Rasgo as folhas do que escrevo para não ferir a susceptibilidade alheia. Vivi sempre assim, com medo de ser. Podia ser, podia crescer assim, princesa num castelo de papel, textos inacabados, domesticar este dragão... Mas esse monstro de fogo também sonha, sobre mata e floresta a arder, tal pirómano da vida, esse dragão... Se eu quisesse ser princesa, não me faria crescer.
Quis ser princesa, quis ser dragão... Nos meus sonhos incluí todas as espécies raras do senão, única forma de sentir e ser sentida, através do inconsciente. Talvez por isso durma tanto, por ser impotente, por ser infértil à velocidade do tempo, Sinto-me velha, ainda antes dos 30. Procuro a paz.
Rasgo as folhas do que escrevo para não ferir a susceptibilidade alheia. Vivi sempre assim, com medo de ser. Podia ser, podia crescer assim, princesa num castelo de papel, textos inacabados, domesticar este dragão... Mas esse monstro de fogo também sonha, sobre mata e floresta a arder, tal pirómano da vida, esse dragão... Se eu quisesse ser princesa, não me faria crescer.
Procuro assim o meu nome, pois já assinei, já assassinei tudo o que fui, tudo o que fiz, tudo o que sou. Nascer de novo, não, estou velha. Velha para princesa, velha para dragão. Resta-me dormir neste castelo de papel ao qual chamo senão.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Gritemos fogo na afonia do visível com que o castigo nos contenta. Gritemos fogo sem que o tempo faça de nós um mito sobre o que gostávamos de ser. Se falar de mim me faz sentir pequena ilusão prefiro ser cega para o que não me contenta, prefiro não falar de mim. Se gritar fogo me faz quente talvez o faça cantando: pequenas canções que escrevi faz anos e que já nem sei o tom, que já nem sei cantar. Talvez o faça gritando. Grita comigo se isso te dá prazer, se a euforia de estares na minha ilusão te faz ter mais de mim, porque não gritas comigo? Soube-me demais no que algum dia tive de mim, um controlo infortúnio entre poesia, literatura, arte, consolo e afins, se é que algum dia soube algo, soube-me assim. Podia gritar fogo da cinza que minto ao incontornável desejo de não querer ser nada. Ninguém quer ser nada. Eu queria ver se a chuva parava para poder ver a água secar no caminho, eu queria ver se o tempo parava.
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