quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Preenchem-se de pretextos
Essas cadeiras vazias,
Vão com sentires e azias,
E outros mais-quereres desfeitos.

De tudo se fala um pouco
Borbulha d'entre as paredes
Discutem fomes e sedes
Ao ponto de eu parecer louco.

Só haverá necessidade
De eu, deitado, vir a ouvir
Alguém a chorar ou rir
A gritar em liberdade

Se alguma coisa disso
Puder eu vir a fazer,
Mas não pretendo, nem crer,
Em tamanho reboliço.

Ai! basta de converseta,
Tempo em tagarelada!
Nem tão alto há cão que ladra
Nem tão fundo a faca espeta.

É que isto de querer paz
Fica só dentro dos sonhos.
Estes hábitos medonhos
De falar pelos cotovelos
(Só para se ser escutado,
Qu'isso faz o mal amado,)
Não quero ouvi-los nem vê-los!






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