quarta-feira, 30 de agosto de 2023

E alguma vez me perguntaste porquê?
Porque se o tivesses feito fugiria à bruxaria para te dar razão.
Mas nem àqueles sonhos, infortúnios,
Previsões subjugadas,
Até aos que para mim guardo,
E às palavras mal amadas,
Nem nas ditas com castigo, a mim,
Encontro refúgio.
Então porquê perguntares-me porquê,
Se nem sequer eu já me leio,
Quem mais será que me lê?

Já nem quero dormir, que adivinho coisas,
E se sorrio, temo pelas razões.
Sinto-me amaldiçoada pelas minhas emoções
Que na frieza das palavras que profiro ninguém vê.
Faz um favor a ti próprio,
Deixa-me neste relento
Que o silêncio da tortura que encontro na solidão
Não é o que me traz alento.
Mas faz um favor a ti próprio e não me acordes, mesmo no meu não adormecida
Nem ouses sequer perguntar-me "porquê". 
Nem o perguntes à vida. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Preenchem-se de pretextos
Essas cadeiras vazias,
Vão com sentires e azias,
E outros mais-quereres desfeitos.

De tudo se fala um pouco
Borbulha d'entre as paredes
Discutem fomes e sedes
Ao ponto de eu parecer louco.

Só haverá necessidade
De eu, deitado, vir a ouvir
Alguém a chorar ou rir
A gritar em liberdade

Se alguma coisa disso
Puder eu vir a fazer,
Mas não pretendo, nem crer,
Em tamanho reboliço.

Ai! basta de converseta,
Tempo em tagarelada!
Nem tão alto há cão que ladra
Nem tão fundo a faca espeta.

É que isto de querer paz
Fica só dentro dos sonhos.
Estes hábitos medonhos
De falar pelos cotovelos
(Só para se ser escutado,
Qu'isso faz o mal amado,)
Não quero ouvi-los nem vê-los!






quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

É que realmente o amor está a escassear com o mundo. Todos pensam no dinheiro. Que máquinas! E nós que julgáramos que viriam os robôs no século XXI e afinal andamos aqui feitos homens de lata em busca de um feiticeiro de Oz, ou de dós, mas não em busca de coração. 

Rais partam os desamorosos que por se acharem demorados nas suas pressas se esqueceram que é preciso muita lata para se esquecerem do valor da empatia. E se invertessem a história, desamarelariam o caminho, fariam-no mais verdinho, reluzente, fértil. 

Rais partam os demorados que se fazem cheios de pressas, não sabem que perdem o óleo que lubrifica a reflexão às antagonias. Que delas nem sequer vivias.

Quais robôs, homens de lata, perde-se o amor no caminho desmantelado até ao feiticeiro de Oz que o tornará facilitado. Que esse lubrificante, não traz amor de repente, nem coração desalmado. Até o menino vê sangue quando cai e fica aleijado. 

Rais partam o homem de lata, as máquinas, os robôs! Não somos feitos de prata e até o amor tiram de nós!