quinta-feira, 21 de abril de 2022

Hoje deitei-me nas trincheiras, escondida de duas ou três guerras.
Fiz a cama em insónias acumuladas com a falta de momentos.
Aprendi que as palavras não se usam como noutros tempos,
E preparei o posto de vigia entre as serras.

Talvez não devesse escrever sobre conflitos
Hoje deitam-se eles impotentes mal entendidos,
Aqueles que se perderam, estão perdidos
Não foi vento na memória, não foram choros nem gritos.

Dormirei em buracos na terra,
Cada um ou cada qual com sua guerra
Intermitentes sonhos me dirão,

Se cada qual tem paz na sua história,
Re-nego que foi vento na memória,
Entre as trincheiras sonharei ou não.

Ana Rodrigues

21.4.2022

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