quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

É que as viagens nas estrelas são difíceis quando a locomotiva é estática, só um enfeite desenhado, talvez um cavalo alado deixasse que fosse vê-las. A fortuna do imperfeito é mais sincera quando as asas que se têm não nos permitem voar. Ficássemos talvez a ver as estrelas, por mais que seja a egoísta vontade, não podemos tê-las, e os carris assim já nos podem guiar.
Mas quem sou eu? Já que não sou sonhadora, vereadora das minhas vontades talvez fosse preferível, no mínimo chegar a meio do caminho p'ró intangível, quem sou eu?
A pergunta é constante, tento encontrar-me a cada instante nos espaços negros do céu.
É que além de difíceis, são caras, essas viagens para as estrelas. Prefiro o escuro da noite, perder-me na face escondida, talvez não me encontraria perdida, sentada na locomotiva que não anda, vereadora das vontades, nos sonhos ninguém manda, encontrar a volta na ida.
No início era o tudo:
Uma ostentação cíclica do melhor e do pior do que é humano, uma criação imaginada sobre o nós e os outros, tal criatividade nos era inferida pela vontade do amor.
Eram as palavras as partes do real, e o papável, tão só, na falta de condescendência do que rodeia a imensidão das tretas que tanto se desejam, ainda.
No início, sem querer, as viagens entre os conhecimentos que se faziam do nós e do vós, essa criação. O desejo do tudo passa facilmente ao desejo das partes, tentava-se cuidar a consciência de que o tudo era mais que o nada, mas como tal, tão vago.
Quando do vazio se criam essas tretas, o pouco parece muito, o nada parece tudo, e o início era quase o fim.