Aqui deserto, na culpa de querer sentir, na capacidade de dormir no relento de mim mesma, à espera. À espera, aqui deserto, nesta saudade-raiva de querer mais do menos e de me deixar ter menos que mais, que o mais desta raiva-saudade. E a madrugada oculta-me o sangue, faz-me espremer mentiras que me seduzem a mente, que me acorrentam com a negra vontade de o ter mais perto. De me ter mais perto.
E as luzes nos candeeiros servem para criar sombras, diferentes a cada um dos meus passos, ora pela esquerda, ora pela direita, na estática solidão de não saber o caminho.
Aqui deserto, sob a culpa de não querer sentir, e o medo de me ter, de me ter mais perto. Tatuo aromas na minha pele para me saber viva, que seja apenas na pele, e eu odeio quando fica parado a degustar essa minha solidão, o tempo. E eu odeio esse sorriso que ele me faz por me achar jovem, quando a cada dia encontro mais rugas escondidas pelos aromas na minha pele. Fico deserta.
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Algum segredo terias para não ser impaciente, e ainda assim eras uma dança constante acima dos teus pés, acima da tua cintura, acima dos teus ombros, como se quisesses cintilar por propósitos que nem sequer conhecias, talvez eu, que te observava nos teus passos os conheceria melhor que tu, aos teus propósitos.
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