Esperança de não pensar.
Não pensar que por ser gente
Devo a vida a um pesar.
Então, no consolo de mim
Inventei identidades
Pensei que seria assim
Que ressentisse verdades.
Viro as costas a este mundo
De costas para o espelho por trás
Sem olhar procuro o fundo
Daquilo que sou capaz.
As tílias são de outra terra
De outra ilha que deserto
E eu não sei que bicho ferra
Nem de coração aberto.
Doei-me um nome diferente
Ninguém sabe o quão antigo,
Mas não vou olhar de frente
Se o espelho é meu inimigo.
Um contratempo a que digo,
"Um dia de cada vez"
Mas penso para cá comigo
Não fui eu quem me desfez.
Essa vergonha que têm
De tudo aquilo que escrevo,
Só por me crer desarmada
Não digo que tenho medo.
Não tenho medo.