quarta-feira, 30 de agosto de 2023

E alguma vez me perguntaste porquê?
Porque se o tivesses feito fugiria à bruxaria para te dar razão.
Mas nem àqueles sonhos, infortúnios,
Previsões subjugadas,
Até aos que para mim guardo,
E às palavras mal amadas,
Nem nas ditas com castigo, a mim,
Encontro refúgio.
Então porquê perguntares-me porquê,
Se nem sequer eu já me leio,
Quem mais será que me lê?

Já nem quero dormir, que adivinho coisas,
E se sorrio, temo pelas razões.
Sinto-me amaldiçoada pelas minhas emoções
Que na frieza das palavras que profiro ninguém vê.
Faz um favor a ti próprio,
Deixa-me neste relento
Que o silêncio da tortura que encontro na solidão
Não é o que me traz alento.
Mas faz um favor a ti próprio e não me acordes, mesmo no meu não adormecida
Nem ouses sequer perguntar-me "porquê". 
Nem o perguntes à vida.