domingo, 7 de junho de 2020

A razão de não ter razão desde que acordei esta manhã, deixou-me impertinente, e ao contrário do frio que se sente para fazer viés ao calor que já me tocou, não estou em equilíbrio. 
Disseram, como eu já perspetivava, que todos morremos jovens. Essa lengalenga que nos encosta à parede faz dissipar os sonhos que se revoltam contra a espada. Faz-me julgar que, no fim de contas, queria ser jovem, pois acho que já gastei todas as vidas. Não quero revigorar a minha demência em prol da de outrem, cada demência tem a sua ciência. Para quê ter razão, se necessitamos que alguém nos diga que temos. Guarde-se então a razão naquela caixa mais pequena e no lugar mais escondido, porque entre ela e a demência, é a segunda que tem mais ciência. 
Parei para escrever, de escrever, parei. O tempo consome-se e o muro continua feito buraco no chão, fissura de tal profundidade na qual caí. De um lado, espada, do outro, parede. 
Talvez a loucura me fizesse companhia se eu guardasse a razão que não tenho porque ninguém ma dá nessa caixinha de Pandora. Fico pela ciência da demência e mando a razão embora.