terça-feira, 30 de maio de 2017

E já quando pensava que tinham fugido todos aqueles tiques e pareceres, filhos da ansiedade, chega a chaga do gesticular de volta, fruto da impertinência do querer ser. Os passos tendem a ser poucos e pequenos, pelo que não creio ir longe, mas terá que ser assim, pelo menos durante algum tempo, na falta de voz.
Sonhado ninguém acredita. Cantar é agora impossível, façam-no os pássaros por mim, na madrugada ao romper do dia... Rompam eles o dia por mim. Falando de impertinência, voltam os tiques e os tremeliques no querer mostrar pontos de vista, e sabes que dói? Como se não bastassem os horrores dos sonhos, cai também a incapacidade de expressão. Dizem-na passageira: muito bem, talvez assim volte a escrever. Balelas! Muito bem, talvez assim volte a sentir.
Aquele livro parado a ganhar pó, a mensagem de alguém. Talvez a falta de voz me cure, talvez o cansaço me desperte os prazeres de outros sentidos do sentir ou o sentir dos sentidos. Deixe-me eu de suposições. Vou aquecer no sol da sombra que me cobre: pode ser que alguém de mim sobre.