segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Foi assim que soube. Ser mulher implicaria um desespero profundo cáustico em vontades de proteger e gélido na necessidade de protecção. Ser mulher sem ser é um segundo de cansaço e a admissão de carências que se tornam vícios à construção de uma depressão. Ser mulher é inversão de papéis, tentar tirar conforto do conforto alheio, imparcial e intocável, quase inatingível. Ser mulher implica então tomar um papel de homem, 24h por dia, até fatigar, e após isso mendigar uma espécie de carinho como se fosse necessário pagar por ele uma fortuna. Ser Mulher, digo. Até fatigar. Foi assim, quase do nada, que soube que em ser Mulher não deve haver espaço para ser mulher.