quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Não me vou deixar de encantos nesta epidemia de cidade. Foram poucas, mas violentas as inconstantes defesas de ti, e não vou escrever de amor.
Pela janela me lavo das promessas na chuva que corre e os passos que deixo no caminho são como poças de água onde cultivo os meus levantes. Pergunto-me se vou para longe ou não, e talvez não te leve comigo. As pequenas palavras pouco me dizem respeito e eu queria tanto ser mais, mais do que isso, mais do que apenas isso.
Não se cheiram as tílias, não me conformo sobre os aromas que esta chuva apaga, não me informo sobre o que são e estou sinceramente cansada de dizer não: só quero ser mais.
Se me deixar de encantos nesta epidemia de cidade talvez cresça, mas é preciso que tal mexa com a responsabilidade, é preciso que tal mexa com os meus encantos.
A cidade não dorme, ninguém dorme na cidade. E as ruas, essas, nuas, no seu frio se resultam. São poucas as possibilidades de fuga, mas talvez assim o faça, talvez assim me faça. No querer ser mais. No querer ser mais cada pessoa se suscita, se submete, se precede ao futuro inconsciente, inconsciente do que se tem e do que se faz falta.
A aurora estrebucha o rigor dos ossos, e sem vontade cada um sai à rua pela simples obrigação de se sentir vivo. Quero fugir. Vou fugir.