Porque o que foi assim se foi, mereço descanso. Dizem algumas pessoas que o aroma a tílias lhes faz mal.
"Acorda-me", disseste, "Mas acorda-me só quando o sonho terminar". E assim foi, como se eu estivesse dentro dos teus sonhos a impedir realidades. Nada seria obsoleto, nada seria impossível. Mas na verdade acordei-te quando o sonho terminou. Ai, e como eu queria poder marcar como o aroma a tílias, como eu queria poder dizer-te o meu segundo nome, o terceiro passado algum tempo. Poesia já te havia lido, palavras já havíamos trocado entre olhares, mais sinceras talvez que o meu segundo nome, ou terceiro. Ambos sabíamos que nada disso interessaria se houvessem tílias, aromas, tudo e qualquer coisa mais forte que qualquer pudor. O pudor e o medo não crescem no aroma das plantas, logo nem em sonhos, nem em despertares iria cria-los. Estava ciente disso, acho que ambos estávamos. Assim que acordaste quis-te mais. Perguntei o teu segundo nome. Disseste que ficava para outro dia, para outro sonho, para outro aroma, para outro despertar. Engraçado, nunca mais te vi desde que acordei.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Por enquanto não sei o seu nome, chamo-lhe sincero. Chamo-lhe retrógrado. Com o seu "sem querer" pago as contas aos dias que me vão faltando e digo-lhe olá, com o meu bom mau querer. Talvez me custe, ainda, estar a criar-lhe atenção. Este jogo de bestas e animais em que sussurramos vontades antigas não nos trará nada de novo, mas ambos sabemos que existe.
Sente-se o aroma a tílias pelas ruas, e o calor o espalha. No meu corpo derrete-se o ar. Aqui, deste pequeno arquivo de sentimentos, vendo sorrisos em troca de sorrisos, mistérios em troca de mistérios, e ao final de contas não me cedo. E é tão cedo nesta marimbância de costuras em que me visto. A seriedade da loucura é-me impertinente.
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